Tribunal digital contra a morosidade
A Justiça do Trabalho escolheu o próximo 1° de maio para dar início a uma empreitada com o objetivo de acabar com a papelada que abarrota os tribunais e contribui para agravar a morosidade, apontada como a principal mazela do Judiciário brasileiro.
A Justiça do Trabalho escolheu o próximo 1° de maio para dar início a
uma empreitada com o objetivo de acabar com a papelada que abarrota os
tribunais e contribui para agravar a morosidade, apontada como a
principal mazela do Judiciário brasileiro. A novidade vem sendo
aclamada pelo Tribunal Superior do Trabalho (TST) como uma verdadeira
revolução no setor. Mas ainda vai demorar até que todos as ações da
área trabalhista passem a ser eletrônicas.
Começa no feriado em
homenagem aos trabalhadores a primeira fase de funcionamento de um
sistema que vai permitir a tramitação eletrônica de processos e
documentos que antes circulavam, em papel, por varas e tribunais
trabalhistas. Até julho, o projeto-piloto do sistema deverá ser
implantado em varas do Trabalho de quatro tribunais regionais, sendo as
duas primeiras em São Paulo: de Paulínia e São Caetano do Sul. A
expectativa é que toda a primeira instância seja coberta até novembro.
Mas a medida deve ser estendida a toda a Justiça do Trabalho somente em
2011.
Por meio do chamado Sistema Unificado de Acompanhamento
Processual (SUAP), advogados poderão, pela internet, da própria casa ou
do escritório, dar início a uma reclamação trabalhista sem precisar
apresentar nenhum documento em papel ou até mesmo encaminhar uma
petição já elaborada anteriormente. Basta ter um certificado digital,
uma espécie de assinatura eletrônica com validade jurídica. Com isso, o
processo será distribuído automaticamente e o próprio sistema informará
a data da primeira audiência de conciliação e instrução, quando as
partes comparecem à vara do Trabalho e tentam chegar a um acordo com a
ajuda de um juiz.
Os certificados digitais serão emitidos por
uma das poucas empresas especializadas neste tipo de trabalho que
existem no país, a Certisign. “A minha alegria é ver que estamos
utilizando a tecnologia em benefício do cidadão. A nossa cabeça está
tão acostumada com a papelada que isso é muito mais do que uma questão
técnica. É uma quebra de paradigma”, comentou Arnaldo Murasaki,
vice-presidente comercial da Certisign.
Entraves
Para a Ordem
dos Advogados do Brasil (OAB), a medida será um avanço. Atualmente, já
existem sistemas semelhantes em tribunais do país para fazer petições
de forma eletrônica. Mas é a primeira vez que um ramo do Judiciário
cria um padrão nacional para fazer esse tipo de trabalho. A expectativa
da entidade é que, seis meses após a implantação do projeto-piloto, 80
mil advogados adquiram os certificados digitais. “Isso vai acelerar o
julgamento dos processos e proporcionar mais segurança. Além disso, o
advogado vai ter uma comodidade grande. Mesmo que ele esteja no Rio
Grande do Sul, vai poder fazer um recurso para um tribunal do Acre, por
exemplo”, disse Ophir Cavalcante, diretor do Conselho Federal da OAB.
A
entidade está preocupada com a exclusão digital. Para poder utilizar o
sistema, é preciso, além de um computador, um scanner e uma leitora
digital. Um investimento caro. Outro entrave é a resistência dos
próprios profissionais à mudança, segundo a OAB.
Fonte: Correio Braziliense





