A vez da nota fiscal eletrônica
Data:
2006/07/24
Fonte:
TI Inside (Gestão)
pág. on line
(Marco Bueno, diretor de canais da Mastersaf)
Depois do SPB (Sistema de Pagamento Brasileiro), que levou as empresas
a se adequarem tecnologicamente para efetuar transações financeiras em
tempo real, um novo projeto de informatização começa a movimentar o
segmento corporativo. A bola da vez é a Nota Fiscal Eletrônica (NF-e).
Apesar de ser o assunto do momento com ampla divulgação em mídia e
entidades representativas do setor, a maioria das empresas está
totalmente despreparada e carente de informações.
A
Nota Fiscal Eletrônica vai substituir os atuais talonários, registros
fiscais e contábeis por modelo digital. Desde abril, a NF-e se encontra
em fase de testes nas 19 maiores empresas dos Estados de São Paulo,
Bahia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Goiás e Maranhão. No ano que
vem, o sistema deverá atingir cerca de 2 mil corporações e até final de
2008 companhias de todos os portes, envolvendo mais de 10 mil usuários
de todo o país.
O projeto visa criar mecanismos capazes de melhorar o acesso e a
qualidade das informações dos contribuintes pessoa jurídica, e promover
uma fiscalização mais eficiente no âmbito federal, estadual e
municipal. Assim, ao emitir a nota digital, a solução irá gerar em
tempo real informações para o controle de ICMS. A NF-e também estará
integrada SPED (Sistema Público de Escrituração Digital), que permitirá
enviar ao fisco a contabilidade consolidada do ano em formato de
documento eletrônico com validação jurídica.
Na prática, o sistema da NF-e não é muito diferente do envio da
Declaração de Imposto de Renda via ReceitaNet. Para as empresas
usuárias, as mudanças trarão alguns benefícios como gastos com papel,
material de impressão, espaço para a armazenagem de documentos, além de
reduzir o tempo de espera dos caminhões nos postos fiscais de
fronteira, ou seja, da entrega dos produtos. Já o governo prevê um
aumento de arrecadação, já que poderá promover uma fiscalização mais
eficiente com informações mais transparente do contribuinte e
cruzamento dos dados da Receita com a da Fazenda de diferentes estados
e municípios.
Entretanto, as mudanças trazem algumas desvantagens iniciais. Como os
usuários corporativos passarão a sofrer maior exposição fiscal, eles
terão que organizar sua base de dados e ERP (sistema de gestão
interna), para assegurar que todas as informações mencionadas na nota
estão corretas e de acordo com a lei, uma vez que o sistema com
assinatura digital não admite erros e nem retificações.
A falta de infra- estrutura e de conhecimento técnico das operações
verificada hoje na maior parte do mercado, representa, sem dúvida, o
principal gargalo para o projeto. Esse problema se torna ainda mais
agravante nas pequenas e médias empresas que, assim como as demais,
serão incluídas no programa até 2008. Portanto, os empresários precisam
correr para se adequarem ao processo de gestão tributária dentro do
prazo estabelecido pelo cronograma, porque o fisco não espera.
Ainda é cedo para avaliar com precisão o impacto da NF-e. O governo
ainda está estudando o layout final do projeto junto a fornecedores de
tecnologia e companhias participantes, e outras mudanças deverão
ocorrer para tornar o sistema mais simples e barato. Com a
informatização crescente dos processos fiscais, o ambiente competitivo
se torna mais justo. Caberá aos empresários decidirem se é melhor
sustentar a operação dentro da lei, ou sair do mercado.

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