Confiabilidade no trânsito de mensagens do SPB
Data:
2006/07/04
Fonte:
TI Master
pág. on line
(Noemia Alcarde*)
As mensagens que trafegam no
âmbito do SPB, Sistema de Pagamentos Brasileiro, devem utilizar-se de
mecanismos de criptografia e certificado digital, a fim de proteger a
confidencialidade, a integridade e a autenticidade das mensagens,
garantindo, assim, a confiabilidade do sistema.
Os certificados digitais são emitidos por uma entidade certificadora
que esteja credenciada na Infra-estrutura de Chaves Públicas Brasileira
(ICP-Brasil). “O ICP-Brasil é um conjunto de técnicas, práticas e
procedimentos a serem implementados pelas organizações governamentais e
privadas brasileiras com o objetivo de estabelecer os fundamentos
técnicos e metodológicos de um sistema de certificação digital baseado
em chave pública”. Como exemplos de entidades certificadoras,
devidamente registradas no ICP-Brasil e que podem gerar certificados
para o âmbito SPB, temos Serasa, Serpro e Certisign.
O papel de uma entidade certificadora é criar um par de chaves
criptográficas (a chave pública, de conhecimento geral e uma chave
privada, de conhecimento apenas de seu portador) para o usuário,
garantindo a identidade do mesmo. Um certificado, então, é gerado
contendo a chave pública do usuário para ser utilizado nas transações.
Quanto ao trânsito das mensagens, para exemplificar como o processo
ocorre, imaginemos que temos uma Instituição Financeira (IF) que vai
enviar uma mensagem ao Banco Central (BC). A IF assina a mensagem com a
sua chave privada e faz a cifragem com a chave pública do BC. Quando a
mensagem chega ao seu destino, ou seja, no BC, ela é decifrada com a
chave privada do BC e autenticada com a chave pública da IF.
O processo da assinatura digital garante que a mensagem veio do
remetente-IF, uma vez que precisa da chave pública do remetente-IF para
autenticá-la. O processo da criptografia garante que somente o
destinatário-BC conseguirá ler a mensagem, uma vez que necessita da
chave privada do destinátario-BC para abri-la.
Um momento de maior risco no processo é aquele em que a chave privada é
empregada na assinatura digital das mensagens, pois se fraudada vai
comprometer a integridade do sistema. E, pensando nisso, é que temos
uma preocupação em relação à guarda da chave privada da instituição.
Por isso, o Manual de Segurança do SPB exige que a IF seja responsável
pela segurança física e lógica do acesso de suas chaves, recomendando
que a chave privada seja armazenada num dispositivo especializado para
o gerenciamento de chaves criptográficas e que ela não seja utilizada
para mensagens ou aplicações em outros ambientes.
Concluindo, percebe-se que toda a questão da segurança no trânsito das
mensagens é tratada de forma substancial, pois as informações não podem
ser vazadas. O sistema tem a preocupação em garantir que a mensagem
chegue intacta do outro lado. Pois, é certo que o vazamento de
informações frustaria toda a confiabilidade das Instituições
Financeiras perante seus clientes.
* Noemia Alcarde é formada em Ciências da Computação pela Unesp e pós-graduanda no curso MBIS na PUC-SP. Analista de Sistemas, participante no programa que envia e recebe mensagens ao SPB.

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