Postura dos bancos quanto a certificação digital decepciona governo
Data:
2006/12/13
Fonte:
IDG Now
- Vinicius Cherobino
Durante a divulgação dos resultados da 1ª pesquisa Ibope Solution sobre o
mercado de certificação digital no Brasil, Mauricio Coelho, diretor de
infra-estrutura da ICP-Brasil, afirmou estar decepcionado com o comportamento
dos bancos em relação à adoção da Certificação Digital.
O executivo cita
o acordo, assinado no final de 2004, entre o órgão e a Febraban. Nele, os bancos
iriam investir pesado e ajudar no processo de expansão da CDig. “O pacto dizia
que os bancos adotariam cerca de 500 mil certificados digitais para pessoas
físicas até o final de 2005. Passou o ano e nada aconteceu. Agora, terminado
2006, esse tema ainda está em aberto”, conta.
Para Coelho, no entanto, a
demanda de investimentos das organizações - relacionados com a compra dos
cartões com chip, das leitoras e dos certificados para os correntistas - não é o
maior entrave contra a tecnologia. “Existe um grande debate sobre a forma que
esses smart cards devem ser colocados no mercado, já que nenhum banco quer a
bandeira de seu concorrente no cartão do cliente. Ainda não está claro para
eles, também, como seus serviços podem ser oferecidos com a certificação
digital”, diz. Ele ressalta, contudo, que “de qualquer maneira, as conversas com
os bancos continuam”.
Mauricio Coelho acredita que os bancos
desempenhariam um papel importante para estender os certificados digitais para
as pessoas físicas, mas outras iniciativas do governo e de redes varejistas de
e-commerce estão ajudando a realizar o salto. “Iniciativas dos setores de saúde
e previdência, assim como do setor trabalhista, estão trazendo a Certificação
Digital para o centro das conversas”, afirma.
As instituições financeiras já
utilizam os certificados para assinatura de contratos via internet,
especialmente de empresas. A autenticação de usuários no internet banking,
contudo, é um tema que continua sem alteração.
A pesquisa
Sem
divulgar números, a pesquisa tinha um caráter qualitativo, o levantamento aponta
que o Governo foi o maior responsável pela adoção dos CDig. Programas como o
e-CAC (Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte), da Receita Federal,
serviram de impulsionadores da tecnologia nas corporações.
Dentro das
companhias, os contadores e analistas fiscais foram os maiores responsáveis pela
adoção de CDig. “Esses profissionais tomaram ou influenciaram a decisão, tanto
pela adoção da certificação digital quanto pelo fornecedor escolhido”, aponta
Laura Castelnau, diretora de atendimento e planejamento do Ibope Solutions. A
pesquisa aponta que os profissionais de TI não estavam à frente desse processo,
atuando apenas como suporte das iniciativas.
As maiores vantagens
percebidas pelos usuários corporativos com a certificação digital está na
diminuição da burocracia e no aumento da segurança. Atualmente, segundo dados da
Certisign, existem um milhão de certificados digitais ativos no Brasil, metade
deles dentro da própria ICP-Brasil.

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