Bancos abrem a discussão sobre segurança
A segurança da informação sempre foi um tabu no mercado financeiro. O tema era abordado cautelosamente, devido ao receio das instituições de a discussão afetar sua credibilidade junte aos clientes. Mais recentemente, porém, os bancos têm sinalizado uma maior abertura em relação ao assunto, mostrando-se mais propensos a discuti-lo.
Data:
2008/06/23 11:50:00 GMT-3
Fonte:
Decision Report
A escolha desse tema para o Ciab 2008 parecia indicar que o silêncio seria rompido e que os bancos abririam suas “caixas-pretas” e falariam de suas formas de proteção. O que aconteceu não foi bem isso, mas o resultado dos debates entre representantes de entidades privadas e da administração pública demonstra que já há, sim, uma maior clareza no cenário da Segurança da Informação nas instituições financeiras. De acordo com Fábio Barbosa, presidente da Febraban, 10% dos gastos dos bancos em TI foram destinados à prevenção de fraudes. Esse número corresponde a 14 bilhões e 800 milhões de reais.
Em entrevista exclusiva à Decision Report TV, Vilmar Knoth, CIO da Nossa Caixa, afirmou que os bancos devem se unir em uma mobilização por segurança. Para ele, essa deixou de ser uma preocupação física, uma vez que o novo ladrão de bancos é um 'cybernauta' e pode estar em qualquer lugar do mundo. “Penso que essa questão de segurança da informação em geral deve ser tratada pelas instituições financeiras como um todo, ao invés de cada um cuidar do seu pedaço”, explicou o executivo.
Com toda a complexidade tecnológica que permeia a operação dos bancos, o superintendente nacional da Caixa Econômica Federal, Delfino Natal de Souza, compara esse mercado a uma Ferrari: para poder correr a 300 quilômetros por hora, o carro deve oferecer a garantia de um bom sistema de freios. Da mesma forma, para que os clientes invistam e façam negócios mais arrojados, devem se sentir seguros em seu relacionamento com os bancos. A maturidade da certificação digital e o uso de cartões equipados com microchips são duas tecnologias destacadas pelo executivo como importantes para a oferta dessa garantia.
Os cartões chipados são a principal aposta do Banrisul para este ano. A partir de julho, todos os clientes do banco portarão cartões desse tipo. Os funcionários também vão utilizar a tecnologia para ter acesso aos sistemas da instituição. "A segurança também deve ser feita de dentro para fora", explica Rubens Bordino, vice-presidente e CIO do Banrisul.
Segundo Glória Guimarães, diretora de Tecnologia do Banco do Brasil, que também participou do programa “Graça Sermoud Entrevista”, além das fraudes, é preciso pensar em segurança como uma parte da inovação tecnológica. “Uma coisa não existe sem a outra; a proteção do usuário deve estar embutida no resultado da inovação”, diz ela. Quando se trata de ambientes colaborativos a executiva é ainda mais clara: “Há sempre o que pode acontecer de ruim, mas há também a parte boa e é nela que devemos apostar. Vulnerabilidades sempre existirão”. Para ela, a Web 2.0 tem que ser utilizada como instrumento para conhecer o cliente. “Só assim, poderemos desenvolver produtos e serviços especiais e direcionados a nossas camadas de correntistas”, conclui.

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