'Spam é maior
ameaça à segurança
da web',
diz criador
da www
Fonte: Agência Folha, 22/08/2003
O spam é uma das
principais ameaças à segurança
da internet. Certificar os servidores de
e-mails seria uma das saídas para
combater a prática.

O engenheiro Phillip Halam-Baker
|
Essa é a opinião do
engenheiro Phillip Halam-Baker, 32,
cientista-chefe da empresa de autenticação
digital Verisign. Halam-Baker trabalhou
com o cientista Tim Berners-Lee no
Cern (Centro Europeu de Pesquisas
de Partículas, em Genebra)
para inventar a World Wide Web --apresentação
gráfica da internet.
Além disso, ele é um
dos editores da segunda geração
de protocolos de certificação
digital --o XKMS (XML Key Management
Specification), que visa aumentar
a segurança e simplificar
os serviços de internet. |
Halam-Baker
visitou o Brasil esta semana à convite
da Certisign, representante da Verisign
no Brasil. Ele apresentou uma palestra
sobre confiança na internet no congresso
do Comdex 2003 e falou à Folha Online
sobre as principais ações
para aumentar a segurança da rede.
Confira os principais trechos da entrevista.
Folha Online
- Qual é a maior ameaça à segurança
da internet atualmente?
Phillip Halam-Baker - A maior ameaça à segurança da internet
hoje em dia está no spam. Você recebe e-mail de alguém
que finge ser outra pessoa, alguém que você não conhece.
Não pede para receber essa mensagem --e nem quer recebê-la. Eu
defino spam como algo não desejado e indiscriminado. As pessoas dão
outras definições ao spam, mas para mim, se o usuário
não quer o e-mail, provavelmente se trata de spam. E se a pessoa que
o enviou sabia que ele não havia sido solicitado, então definitivamente é spam.
O spam é um grande facilitador
de crimes. Os usuários recebem correspondências
e, desavisados, passam dados pessoais,
números de cartão de crédito
etc. Quando se dão conta, gastaram
milhares de dólares comprando coisas
para um spammer.
Folha Online
- O que poderia ser feito para acabar
com essa prática?
Halam-Baker - O que precisamos fazer é colocar segurança também
nos e-mails. Se você sabe que a pessoa que diz estar enviando o e-mail é realmente
o remetente da mensagem, é muito mais fácil de controlar.
É como aquele jogo em que saem
uma porção de cabeças
de diversos buracos e você tem de
martelar cada uma. Assim que os usuários
começarem a ser autenticados, será como
ter um martelo para cada cabeça
--e elas só poderão sair
de um único furo. Fica muito mais
fácil controlar. Isso pode ser feito
com a lei, ou você pode simplesmente
impedir o spammer de enviar suas mensagens.
Folha Online
- A lei seria uma saída
para o spam?
Halam-Baker - Não podemos usar a lei para substituir a tecnologia. A
boa tecnologia nesse caso consiste em adicionar confiabilidade e segurança
ao protocolo.
Folha Online
- Então a solução
seria certificar cada provedor de e-mail?
Isso é viável?
Halam-Baker - É possível certificarmos todos os provedores de
e-mail, empresas que enviam mensagens eletrônicas, e ISPs [provedores
de serviços de internet]. Não há como certificar os bilhões
de contas de e-mails, mas há apenas cerca de 1 milhão de provedores.
Atualmente, com o protocolo de segurança SSL (Secure Socket Layer),
já certificamos as transações DNS (serviço de nomes
de domínios) em centenas de milhares de provedores. Com a certificação
em nível de servidor, é possível controlar cerca de 1
milhão de servidores.
Folha Online
- Financeiramente, não
seria muito caro para os provedores certificar
suas máquinas?
Halam-Baker - Há um custo nisso, claro. Mas se você olhar o custo
que o spam vem gerando: é enorme. É muito mais barato para os
provedores pagar pela certificação de cada servidor de e-mail
do que arcar com as perdas geradas pelo spam. Há ISPs que têm
data center do tamanho de um campo de futebol, com cerca de cem equipamentos.
Se o spam não existisse, apenas uma máquina seria suficiente.
E os prejuízos com o spam não
envolvem apenas o tráfego de mensagens,
mas os custos com a filtragem desses e-mails.
Os provedores precisam separar aquilo que
sabem que seus clientes não querem
receber. Os ISPs estão gastando
milhões para diferenciar os e-mails úteis
dos indesejados porque os clientes estão
se irritando, e dizendo que se eles não
fizerem nada para evitar o spam, vão
deixar o provedor.
Folha Online
- E como ficam os softs anti-spam?
A certificação
dos provedores de e-mail seria o fim
desses programas?
Halam-Baker - Eu não estou falando de um substituto para os programas
anti-spam. Trata-se de uma tecnologia que tornará esses programas ainda
mais eficientes.
Hoje, muito do que é filtrado, é feito
erroneamente. Assim, e-mails válidos
são bloqueados, e spam acaba passando.
A idéia da certificação é dar
aos desenvolvedores de filtros mais informações
com as quais trabalhar.
Folha Online
- Veremos o dia em que o spam será vencido?
Halam-Baker - Atualmente, as pessoas
criam contas de e-mail especialmente
para se cadastrar em serviços que exigem endereço
de e-mail.
Eu me lembro da época em que as
pessoas colocavam seus endereços
de e-mail em sites. E queriam receber mensagens,
queriam opiniões sobre seus trabalhos.
Agora, por causa do spam, as pessoas estão
sendo alertadas para não divulgar
seus e-mails.
Eu acredito e espero
pelo dia em que a internet volte ao que
era antes do spam. Acho que isso é possível.
Tempos de nos empenhar para isso, porque
a infra-estrutura já existe. A Verisign
pode fazer isso. Tem a infra-estrutura
necessária. Entendemos disso e acreditamos
ter capacidade para suportar essa certificação.
|