Hospital Samaritano

"Não haverá mais pilhas de papel na mesa dos médicos e o histórico do paciente estará no computador".

Klaiton L. Simõa
Gerente de TI

Hospital SamaritanoCertisign, empresa especializada no desenvolvimento de soluções de certificação digital, em parceria com a empresa E-VAL Tecnologia, desenvolveram um projeto personalizado para implantação do certificado digital no Prontuário Eletrônico do Paciente do Hospital Samaritano.

Com um investimento de R$ 400 mil, a instituição pretende ter o retorno deste projeto em até 24 meses só com a redução de 500 mil folhas de papeis que são impressas pelo hospital todo mês. A instituição integrou 2.500 funcionários no uso da certificação digital no Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP), além da redução do volume de impressão e armazenamento, o hospital conseguiu reduzir erros de grafia e compreensão no entendimento de documentações e laudos médicos, seja por parte dos profissionais de saúde ou dos pacientes. O projeto aumentou a segurança dos registros dos pacientes, reduziu a necessidade de armazenagem de documentos pelas dependências do hospital. Agora os documentos nascem eletronicamente e são armazenados eletronicamente. Tudo isso com a garantia jurídica.

Segundo Paulo Kulikovsky, Vice-Presidente da Certisign, "a certificação digital é a solução para redução dos custos dos hospitais com aumento de segurança, tanto para o paciente como para os próprios hospitais além do aumento da produtividade do corpo clinico e facilidade de acesso às informações. Quando implantado o processo com certificação digital, são eliminados todos os esforços administrativos e os erros advindos do uso do prontuário em papel", conclui.

Em 2010 o Hospital totalizou 1,495 milhão de atendimentos e tem como premissa que "tudo tem que nascer do ato da prescrição eletrônica". E atento a esse detalhe, a implantação do certificado digital no PEP foi realizada de uma maneira que contemplasse também os médicos eventuais ou os chamados de "internistas", aqueles que prescrevem em nome do médico, mas com os seus próprios certificado digital e dados cadastrados no sistema.

Segundo o gerente executivo de TI do Hospital Samaritano, Klaiton Luis Ferreti Simão, "a instituição doou um certificado digital para cada profissional de saúde justamente para incentivar e disseminar de maneira mais rápida o uso da ferramenta. E, com isso, está sendo possível beneficiar todas as áreas do hospital", afirma.

Klaiton explica também que o processo de certificação digital é parte de um projeto de investimentos em novas tecnologias que o hospital tem feito nos últimos anos. "Hoje, o paciente já pode levar para casa a ressonância em um CD ou obter os resultados dos exames pela Internet. Além disso, já estamos normatizados com as exigências do TISS (Troca de Informações em Saúde Suplementar) no que diz respeito a aplicação do PEP. Todo esse investimento também tem um retorno muito rápido, porque agiliza e reduz o tempo gasto com burocracias internas", afirma.

Em 2010, por exemplo, foram contabilizadas 14.500 internações, 11.141 cirurgias e partos, 135.271 atendimentos de emergência, 1.334.654 de exames realizados e um total de 4.959 pacientes atendidos por dia. E esse processo de informatização, investimentos em novas tecnologias, ampliações e instalações também têm contribuído para que o Samaritano receba, a cada dois anos, a retificação do selo de qualidade da Joint Comission International (JCI).

A entidade JCI é uma organização de acreditação mundial de hospitais e laboratórios e uma das exigências para que as instituições tenham o selo é justamente a implantação de um nível elevado de informatização dos processos.

Desafios

Mesmo tendo o apoio de equipes médicas para que o projeto fosse aprovado internamente, após o início da implantação da tecnologia ainda houve algumas resistências. De acordo com Klaiton, muitos profissionais criticavam a lentidão para que os processos fossem logo concluídos. "Enfrentamos esse problema porque criamos uma estrutura de segurança que nos exigia muitas ferramentas de tecnologia que ainda não estavam disponíveis no mercado", diz.

E para dar esse suporte aos médicos, o executivo do hospital reforça que foi criado também, com esse novo sistema, um plantão na área de TI. "A qualquer momento um profissional de saúde pode ir à área de TI solicitar auxilio para a utilização de um dos sistemas do hospital ou ainda para solucionar problemas na rede", detalha o executivo de TI do hospital.

Além disso, o executivo destaca que a percepção do paciente ainda é baixa sobre o projeto. "Ele normalmente vai perceber a diferença a partir da segunda vez que retorna ao hospital, pois não haverá mais pilhas de papel na mesa do médico e o histórico dele estará no computador, dentro do sistema", explica. E como todas as áreas da instituição já utilizam a certificação digital em seus processos, independente do setor que a pessoa tenha sido atendida, haverá seu histórico consolidado em apenas um espaço para que qualquer profissional tenha acesso.

Outra parceira deste projeto é a E-VAL, que foi responsável por fornecer os módulos de assinatura que estão integrados no sistema de Prontuário Eletrônico do Paciente, o Tasy, com o qual permitiu a obtenção de uma certificação de Nível de Garantia de Segurança 2 (NGS-2) do processo de certificação de sistemas de registro eletrônico em Saúde (S-RES) pela Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS).

Por sua vez, o Módulo de Assinatura Digital e Certificação em Saúde (MADICS), da E-VAL, contempla todos os requisitos exigidos no processo de certificação SBIS/CFM (Conselho Federal de Medicina) em forma de serviços, o que facilita o processo de integração com os sistemas de PEP. Além disso, o MADICS oferece estabilidade, alto desempenho, interoperabilidade com uma gama diversa de dispositivos, e garantias de constantes atualizações, tanto regulatórias quanto tecnológicas.

Segundo Luis Gustavo Kiatake, Diretor da E-VAL, o projeto do Hospital Samaritano vem consolidar o uso da certificação digital em áreas distintas dentro de um hospital desse porte. "Esse projeto possibilita avaliar ganhos, desafios e, dado seu pioneirismo, as melhorias necessárias nos sistemas e processos. É uma grande contribuição ao futuro da eliminação do uso do papel da saúde", conclui.